Em janeiro desse ano peguei um táxi para o aeroporto, onde embarcaria em viagem de trabalho. Naqueles dias eu andava meio desacreditado nas pessoas. Mal entrei no carro e o motorista desandou a falar. Queria saber para onde eu ia, de que cidade eu era e onde trabalhava. Na verdade tudo não passava de uma introdução para que ele pudesse contar sua própria história.
Ele havia deixado Fortaleza para morar em Brasília um ano atrás e ainda sofria com o excesso de concreto armado, os vastos espaços vazios e a distância dos familiares. Juntara cinco mil reais e decidira partir para a capital brasileira para tentar crescer na vida. Seu pai tinha uma panificadora em Fortaleza, mas aparentemente ele tinha poucas perspectivas por lá. Um dia, jogando futebol com os amigos, anunciou que estava se mudando. Todos riram e duvidaram que ele estivesse falando sério. Só ao vê-lo partir acreditaram naquele sonho, para eles um tanto descabido.
Os dois primeiros meses em Brasília foram de penúria e infrutíferos na busca por emprego. Um dia, sentado na rodoviária do Plano Piloto, com suas reservas financeiras se esgotando e pensando em voltar para Fortaleza, ele viu o fluxo intenso de táxis e o sobe e desce de passageiros. Resolveu entrar em um deles. Começou a conversar com o motorista e este lhe deu dicas sobre como fazer um curso para se tornar um taxista. Poucos dias depois ele começou a fazer as aulas, que duraram uma semana. Em seguida ele procurou a cooperativa de táxis, onde conseguiu alugar um carro para trabalhar. Hoje ele faz o curso de Direito à noite e trabalha de taxista durante o dia.
Ele se espelha em um conhecido seu que, após trabalhar durante seis anos em um restaurante, no qual lavava pratos e limpava a cozinha, conseguiu concluir o curso de Direito e passar em um concurso para a advocacia geral da União. Sempre que o taxista de Fortaleza se encontra em apuros nos estudos recebe a ajuda de seu amigo advogado, que dá o empurrão necessário rumo ao conhecimento. Em contrapartida ele não é cobrado quando precisa de corridas de táxi.
Despedi-me do taxista feliz por ter ouvido sua história. Desejei-lhe sorte e força na realização de seu projeto em andamento, e saí com uma fé renovada nas pessoas, com a esperança de voltar a ouvir falar nele, dessa vez como um novo brilhante advogado.
3 comentários:
Fantástico.É de mais gente assim que precisamos. Gente que vai a luta, não se contenta com um sub emprego e não passa o resto da vida reclamando. Esse cara já é um vencedor. And so are you, bro.
Suas crônicas narrativas e descritivas, são dígnas de José de Alencar. Já pensou em virar escritor?
Abraços
Goiabão. rs
Mana, eu sou seu fã. Você bate o escanteio e corre pra cabecear!
Moita, penso todo dia. Ainda mais se puder escrever enquanto viajo mundo afora.
grande abraço! FFF
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