Domingo, Setembro 11, 2011

WTC x Ground Zero

Em 1997 eu visitei as torres gêmeas do World Trade Center. Na época, o que estava por vir era simplesmente impensável. Tenho algumas fotos tiradas a partir de um dos andares mais altos, de onde tudo parecia miniatura e insignificante.

O dia 11 de setembro de 2001, não fosse pelos atentados, seria mais um dia comum na vida de todos nós, daqueles que se confundem na salada do passado e não se destacam na nossa memória. Porém, todos lembram o que estavam fazendo naquele dia, no que pensaram, como souberam dos fatos. Eu estava em casa pela manhã, estudando para as matérias da faculdade de engenharia. Liguei para um contato que trabalhava na TAM, a quem eu e outros colegas iríamos entrevistar para o trabalho de engenharia de transportes, que no nosso caso era sobre o transporte aéreo de cargas. Ele me disse algo do tipo: “Você tá louco? Aqui está um caos, por conta desse avião em Nova Iorque. Liga a tevê aí! Depois a gente marca um horário.” Eu não entendi nada, mas obedeci e liguei a televisão. O resto é história.

Após o almoço fui buscar meu irmão que estava na escola (faz tempo isso). Acostumado com brincadeiras minhas, ele não acreditou no que eu lhe contava sobre os aviões que derrubaram as torres gêmeas. Afinal, se àquela época fosse lançado um filme com esse enredo, ele seria taxado de excessivamente fantasioso. Aqui cabe um parêntese: Poucos dias depois, novamente enquanto eu o buscava no colégio, contei-lhe sobre o seqüestro do Sílvio Santos e ele duvidou de novo. Dessa vez tentei fazê-lo apostar dinheiro para ganhar uns trocados, mas acabei me satisfazendo por vê-lo admitir que a verdade em mim residia.

Na tarde de 11 de setembro fui para a obra em que eu estagiava. Enquanto conferia os quantitativos de reboco minha mente viajava na geopolítica mundial, imaginando o que seria do mundo no futuro próximo, se haveria uma nova guerra mundial, se a vida seguiria seu caminho natural ou se seríamos desviados de forma abrupta rumo a um clima de terror generalizado. No outro dia estava de volta às provas da faculdade, à obra, ao namoro, à vida corriqueira. Pelo menos no Brasil, nada mudara.

Canteiro de obras no Ground Zero (abril de 2010)
Em 2010 eu e Marie viajamos para Nova Iorque. Entre tantos outros passeios estivemos no local do WTC, o Ground Zero. Um enorme fluxo de pessoas transformava as calçadas e estabelecimentos adjacentes em rios humanos. No centro da balbúrdia, um enorme canteiro de obras, repleto de altos guindastes, anunciava o novo edifício que em breve tomará o lugar do WTC. Por mais que os americanos sejam mal vistos por alguns, temos que tirar o chapéu para o arrojo daquele povo. Hoje o atentado completa 10 anos. Um evento que constará nos livros de história por muito tempo, como o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki por exemplo. Foi estranho poder passar pelo local desse evento. Era como se eu tivesse conhecido um belo bosque na Alemanha, acompanhado em tempo real a segunda guerra mundial, e pouco depois ter voltado àquele bosque, agora transformado em um campo de concentração nazista abandonado.

Cartaz com maquete eletrônica do novo edifício. Hoje sua estrutura já está com 80 dos 104 andares prontos.

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