Esse texto resultou da viagem de férias, durante o mês de outubro, em que eu e Marie passamos por Las Vegas, Grand Canyon, Los Angeles, Cambria, Carmel-by-the-sea e San Francisco.
Após cinco dias entre Las Vegas e Grand Canyon, eu e Marie fomos para Los Angeles. Logo na chegada nota-se um clima diferente. A cidade é entrecortada por freeways. Parece que quem nasce lá aprende primeiro a dirigir, depois a andar. Sem falar no trânsito louco, onde pode-se virar à esquerda em todas as interseções, após esperar no meio do cruzamento uma brecha para passagem.
Chegamos ao nosso hotel em Hollywood e saímos a pé. Tivemos que passar por baixo de viadutos, por alguns lugares esquisitos, até chegarmos à Hollywood Boulevard. Lá, naquele fim de tarde, o ambiente não estava muito para turista. Muitos caras parados, esperando em esquinas, moradores de rua. A fome era grande e paramos no primeiro restaurante que vimos. No caso, um mexicano. Após janta picante com muita coca-cola, voltamos de táxi para o hotel e planejamos os próximos dias à base de carro.
No dia seguinte fomos para o Universal Studios. Um pouco “parque temático americano” demais para o meu gosto. No entanto há atrações legais, como o pavilhão de efeitos especiais e a montanha-russa da Múmia, toda no escuro. Lá também vi um dos cenários feitos para o “De volta para o futuro” e o lendário Delorean. Por fim, jantamos bem no Bubba Gump, especializado em frutos do mar e Forrest Gump.
No dia seguinte fomos para a parte que mais gostei de LA, apesar de oficialmente já ser outra cidade. Santa Monica: uma cidade praieira emendada com Los Angeles. Chegamos lá todo faceiros e demos de cara com uma neblina intensa. Ainda sim achei o lugar extremamente agradável, com pessoas patinando e andando de bicicleta, passeando pela praia e ruas próximas. No famoso píer está a placa que indica o final da Rota 66. Havíamos cruzado com esta estrada várias vezes no caminho de Las Vegas para o Grand Canyon, mas só agora estávamos nela de verdade. Junto do parque de diversões achei um Zoltar, bem parecido com aquele do filme “Quero ser grande”, no qual Tom Hanks vive um garoto que se torna adulto por meio de um desejo (dá-lhe sessão da tarde).
| Relógio onde cai o raio no momento em que o Dr. Brown conecta os cabos e Mcfly volta para o futuro |
| Fiz o seguinte pedido: "Quero ser viajante" |
| Marie contemplando o Pacífico |
Na Muscle Beach, trecho conhecido pelos marombeiros que ficam se exercitando por lá, nos divertimos assistindo três moleques que tentavam acertar o passo numa bicicleta tripla. Depois de várias tentativas, quedas e risadas, eles resolveram devolver o monstro de três cabeças e alugar três magrelas tradicionais.
| Garoto derrotado devolvendo a bike tripleheaded |
Saindo da rua costeira e entrando uns três quarteirões para dentro da cidade, chegamos à Third Street Promenade. Um calçadão com diversas lojas, bares e restaurantes descolados, com artistas de rua se alternando a cada cem metros. Um deles tocava um violão folk, com melodias perfeitas. Com seu jeito de tiozão aposentado do rock, voz rouca e dedos ágeis, foi cativando um pequeno público. Assisti seu número por uns trinta minutos e fiz questão de ir lá elogiar após dar uma contribuição. Há muitos talentos perdidos pelo mundo.
Após embasbacar-me com a sessão de livros de viagem da Barnes and Nobles, da qual acabei levando apenas uma coletânea de relatos da Lonely Planet (Tales from nowhere), fomos almoçar em um restaurante grego da Promenade. Graças a termos acertado em cheio no pedido dos gyros foi que acabamos comendo no Dametra Cafe, mais tarde em Carmel.
No meio da tarde voltamos para LA e fizemos a parte mais tradicional do turismo por aquelas bandas. Andamos na calçada da fama e passamos pelos Kodak Theatre e Chinese Theatre – onde ocorre e onde costumava ocorrer, respectivamente, a entrega do Oscar. Depois passamos rapidamente por Beverly Hills e pela Rodeo Drive. Apesar de saber de antemão que há lugares muito mais legais de se conhecer em Los Angeles, parece que nos sentimos quase que na obrigação de cumprir essa parte da rota turística. Nem que seja para confirmar que não há nada de especial por lá.
Em compensação à noite fomos para o Griffith Park, no seu observatório. De lá se tem uma bela vista de Los Angeles. Esperamos cerca de meia hora em um fila para dar uma espiada no gigantesco telescópio que eles possuem. Naquela noite ele estava apontado para Júpiter. Sinceramente, ele poderia estar apontado para qualquer lugar. Vimos apenas um pequenino ponto luminoso, com pontos menores à sua volta. Eu estava esperando ver a superfície do planeta, mas mesmo assim foi interessante. O parque tem uma atmosfera convidativa e parece servir como um refúgio para o burburinho da cidade.
| Los Angeles vista do observatório |
No dia seguinte partimos para a parte mais esperada da viagem: dirigir ao longo da costa do pacífico pela California State Route 1, ou simplesmente Highway 1. Mas isso fica para o próximo post.
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